

E a verdade é que eu continuo aguardando pelo fatídico dia em que você me largará.
Nada que me fez tão bem e tão feliz, quanto você me faz, foi meu por muito tempo.
E dói não aproveitar o presente por medo do que venha a acontecer no futuro. É quase doentio sentir esse medo. Mas eu não consigo evitar. Quando a noite chega, quando minha cabeça toca o travesseiro, eu penso em como você é perfeito e em como eu não me encaixo na sua perfeição.
Eu nunca fui boa em praticamente nada. E você é sempre tão bom em tudo. Eu tenho orgulho de chama-lo de “meu”. E você? Sente algum orgulho em chamar-me de “minha”?
Eu continuo esperando pelo dia no qual você vai acordar e perceber que eu fui apenas um erro. Uma âncora na sua vida. Pelo dia em que você não vai mais ver nada em mim, vai me ver pelo vazio que eu sou. E vai me comparar com tantas outras que gostariam de te pertencer, vai se dar conta do que está perdendo por minha causa e, simplesmente, irá me abandonar… Como outros já fizeram antes de você.
(PoisonGlass)

Alexander Skarsgård by Randall Mesdon for ‘Man of the World’ magazine




E com precisão e maestria, toca-me em meus pontos fracos. Quase como se já conhecesse meu corpo, como se fossem velhos amigos.
E é irritante o modo como meus pelos se eriçam, como o gemido escapa do fundo de minha garganta. Meu corpo responde à você e não mais a mim. Eu te pertenço.
Em pensamento eu te digo mil vezes não. Mas quando seus lábios tocam meu pescoço, não a outra reação minha que não seja lhe dizer sim.
Como é possível? Que você me conheça tão profundamente? Que você saiba exatamente onde colocar suas mão para gerar as reações mais extremas de meu corpo?
E puxa meu cabelo, segura minhas mão, morde meu pescoço… O frio na minha barriga apenas aumenta. O calor entre nós corpos apenas sobe. A espera para sentir-te dentro de mim é como uma lenta tortura. A distância - mesmo que quase inexistente - parece doer.
E é impossível explicar o quanto eu preciso do seu calor. Nem eu mesma compreendo como é possível estar tão perto de perder a sanidade mas continuar sã.
Gosto quando vejo você tornando-se mais agressivo, pois acredito que isso demonstre a sua urgência em me ter, isso corresponde as minhas expectativas.
E não há medo, não há pudor. Apenas nós dois, ardendo noite à dentro, num louco frenesi até saciarmos nossa sede, um do outro.
(PoisonGlass)
